quinta-feira , 27 abril 2017
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O Apetite Sexual Excessivo é uma Doença?

O Apetite Sexual Excessivo é uma Doença?

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Já ouviu falar em ninfomania? Ou quem sabe em satiríase? Pois é, estes são nomes dados ao desejo sexual hiperativo (DSH) em mulheres e homens, respectivamente.

“É uma doença? É normal? Faz parte da natureza humana?”

Bom, o nível de apetite sexual só é classificado como transtorno psicológico quando começa a afetar a vida social/afetiva do indivíduo. Ou seja, seu desejo sexual interfere negativamente na sua rotina de trabalho, nos seus relacionamentos afetivos, passeios, eventos e etc. O DSH se encaixa melhor na categoria “vícios”, pois assim como todos os outros, é um gerador de prazer que foge completamente do controle.

A pessoa que sofre deste transtorno deseja o sexo incessante, quer alcançar o orgasmo várias vezes seguidas, custe o que custar. O ato sexual e masturbação normalmente é seguida de culpa e arrependimento, o que não impede de continuar em busca do prazer através do sexo, assim como acontece com qualquer outro vício.

Veja o relato de duas pessoas distintas que sofrem deste mal que tive a oportunidade de aconselhar:

“Por mim faria o sexo o dia todo, todos os dias. Acho que quando casar vai melhorar… Vou poder transar umas 10 vezes ao dia. Isso é normal né?” (mulher jovem solteira)

“Eu quero sexo o tempo todo. Quando não tenho me masturbo… Não penso em outra coisa. É 24 por dia, 7 dias na semana, 365 dias no ano, sem interrupção.” (homem de 28 anos casado)

Agora observe o relato dos parceiros destas pessoas, respectivamente:

“Não consigo satisfazer minha namorada, ela é insaciável. Não sei se dou conta disso, é desesperador. Ficamos até assados, machucados… Não consigo manter a ereção, preciso de viagra pra dar conta. Não quero entrar num casamento assim…”

“Eu me sinto um lixo, impotente, não sou capaz de suprir meu marido. Faço sexo 3 vezes ao dia e ele vive se masturbando pelos cantos. Parece um filme de terror. Não tenho vontade de viver… Eu sou o problema? Preciso de mais fogo? Será que sou frígida demais? Ele fala que sim…”

O apetite sexual excessivo pode destruir vidas, relacionamentos e famílias inteiras. Se sofre deste mal, precisa agir o quanto antes!

Como identificar se sofro desse distúrbio? Aqui estão os principais sintomas:

– O indivíduo passa por cima de qualquer limite de certo e errado para obter o sexo: adultério, pornografia, swing, prostituição, masturbação descontrolada, sexo em locais inapropriados, com pessoas comprometidas e etc. Não mede consequências e com frequencia coloca em jogo a vida do cônjuge, filhos, seu emprego, amizades e relacionamentos em geral;

– Fantasias sexualmente excitantes frequentes e intensas, impulsos ou comportamentos sexuais “anormais” que persistam durante um período de pelo menos seis meses. O que entendemos por anormal? Tudo aquilo que foge do sexo convencional dentro de um relacionamento afetivo maduro e saudável;

– As fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais causam desconforto ou comprometimento na sua vida social, trabalho, amizades e relacionamentos afetivos;

– Os sintomas não estão relacionados ao uso de drogas ou estimulantes;

– Doença de Pick, lesões cerebrais, sífilis e demências também podem causar um aumento na sexualidade, impulsividade e obsessão sexual além de outros comportamentos socialmente inadequados similares.[1]

Se suspeita que sofre deste transtorno, quero te dar uma boa notícia: há uma saída. O primeiro passo para a cura éreconhecer. Quanto mais negar aos outros e a si mesmo, mais destruição trará para sua vida e para vida daqueles que ama. Se permanecer preso a este transtorno, dificilmente conseguirá construir uma família e manter uma vida equilibrada.

A terapia cognitivo-comportamental  é uma destas saídas. Ela ensina o paciente a controlar seus impulsos e a manter relacionamentos sexualmente saudáveis e satisfatórios. Pode também ser voltada para o desenvolvimento de habilidades para lidar melhor com a ansiedade, desconforto e carência afetiva.[2]

Existem também antidepressivos que regulam a serotonina e podem ajudar a diminuir a libido, a ansiedade, os pensamentos obsessivos e aumentar o auto-controle e bom humor. Psicoterapia de casal e psicoterapia de grupo especialmente voltada para adicção sexual também tem demonstrado bons resultados.[3] [4]

Para os que creem na existência de Deus e na Bíblia como verdade e regra de fé, deve estar ciente do mundo espiritual: “pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais”. Efésios 6:12

Existem poderes malignos atuando em todas as áreas, nos cercando por todos os lados: “Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar”. 1 Pedro 5:8

Tive a oportunidade de acompanhar o caso de uma moça com suspeita de ninfomania. Durante o processo ela confessou estar totalmente envolvida com forças malignas. O espírito que ela recebia tem o nome de “pomba gira”, um demônio relacionado a área sexual. Resumindo, depois de muita conversa, ela reconheceu que a única forma de trilhar um caminho de vida, salvação e libertação, era Cristo. Ela optou por conhecer e viver a vontade Dele. A luta continua. Ela se dipos a estudar a Palavra e aos poucos está recebendo conhecimento e discernimento do alto, o que não dispensa o acompanhamento de um profissional, é claro. Creio que muito em breve estará liberta.

Assim como qualquer outro vício, existem portas que te levarão mais para dentro e outras para mais longe deste transtorno. Se são amizades, corte-as. Se é a internet, corte-a. Se é a TV, corte-a. Se é o celular, jogue-o no lixo. O que é melhor, viver uma vida equilibrada e harmoniosa sem estas portas ou acabar num inferno (ainda em vida) com todas elas? A escolha é toda sua.

[1] Cummings, J. L.. Dementia: A clinical approach (2nd ed). Boston: Butterworth-Heinemann

[2] Meg S. Kaplan; Richard B. Krueger, “Diagnosis, assessment, and treatment of hypersexuality” , The Journal of Sex Research, March-June 2010

[3] http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?10

[4] Kafka, M. P. (2007). Paraphilia-related disorders: The evalution and treatment of nonparaphilic hypersexuality. In S. R. Leiblum (Ed.), Principles and practice of sex therapy (4th ed.) (pp. 442-476). New York: Guilford.

 

Va: Salve meu casamento

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